
De volta a casa, um pouco mais cheia... mas um tanto mais vazia...
Para quem me conhece sabe que esta época para mim é de angústia, nostalgia, desespero até... não gosto do Natal. O consumismo levado à exaustão da bolsa e da paciência de qualquer santo, os shoppings a abarrotar, as pessoas que se voltam a falar pelo simples facto de ser Natal, as mesas cheias de famílias que se gostam e até que se odeiam... por mil razões e mais alguma... não consigo pactuar com tanta hipócrisia. É uma verdadeira ilusão de sentimentos que atinge milhões e que me dá neura.
Sentir o Natal diariamente dá-me muito mais gozo; dizer palavras bonitas a quem gosto, mimar e cultivar amizades, dar abraços, prendas e beijinhos porque sim, e não por obrigação à data, fazer surpresas quando me apetece "sacar" sorrisos, rir e fazer rir... são exemplos do meu Natal e do que gostaria de ver nos outros. O Natal é quando o Homem quiser não é? Pois então vivam-no assim. Não sou contra quem vive o Natal intensamente e quem gosta dele, mas acredito que se todos o prolongassemos ao longo do ano, haveria muitas mais pessoas felizes. Talvez todos estivessemos mais habituados a sermos mimados; talvez não sentissemos um simples presente diário como exagero ou forma de pressão, talvez nos dessemos mais valor a cada hora que passa e não em cada ano como estranhamente se faz. Aprendi a ser assim, muitas vezes incompreendida mas felizmente tenho quem o seja também ;)
Mas passando à frente (temo que isto se torne quase testamento pelo tamanho que terá...), Sábado, e depois de um mail que veio piorar o estado de angustia, lá me fiz à estrada. Três longas horas de viagem que deram para descontrair, pensar, desesperar, chorar, enfim... para tudo mesmo. O facto de não ver grandes perspectivas profissionais para já, misturado com o sentimento de angústia do Natal, mais umas tantas que me fazem sentir a flutuar, sem os pés na Terra, deu para ir pela estrada numa tentativa de me distraír e tentar absorver o que de melhor me dá a paisagem até à Guarda. Já quase a chegar fui brindada por algo que me fez "acordar", assustar e depois acalmar, rir e agradecer o momento. Em tantos anos de viagem nunca me tinha acontecido tal coisa. Não é que em plena A23, se atravessa uma raposa com 2 raposinhos à frente? Pois é... veridico e simplesmente delicioso. Foi tudo muito rápido e deu para temer algo menos positivo mas felizmente foram à vida deles e eu à minha com um sorriso nos lábios...
Chegada à Guarda, foi altura de reencontrar amigos de longa data, saber de novidades, beber uns copos e conhecer espaços novos. Tudo isto ajudou a deixar alguns problemas para trás, não que não deixem de nos atormentar a cada segundo, mas acalmam a intensidade da dor. A Guarda está bonita, e pela primeira vez adorei a decoração natalícia, simples, bonita e eficaz... como se quer. Antes do jantar de consoada, nada como reencontrar amigos de longe para um copo de vinho... foi lindo Grelo! Adorei! Lá se passou o jantar, prendinhas e afins que não dou grande importância (realçar o agradecimento à Vanessita que até foi uma querida, claro está... espero que prolongues esse espirito ao longo do ano ;p). À noite, a tradicional saída pros copos, também faz parte.
Dia de Natal surge a temida noticia... parte alguém importante na vida de alguém muito proximo. Não consigo alargar-me muito neste assunto porque ainda está muito presente e infelizmente manchou a época. Acrescento apenas que vos adoro aos 2 e que estamos cá todos juntos para o que for preciso...

E depois de mais uma viagem igualmente grande, triste, cansativa e não menos solitária, cá estou, entre recordações e embrulhos a despedir-me da época... Pelos melhores ou piores motivos, ajudou-me a perceber que talvez esteja certa. Não esperar pelo Natal para dar... dar sem intenção de receber e mimar, mimar muito quem gostamos. Arrisquem... talvez seja tarde para dar aquele presente ou aquele abraço...
Fiquem bem.